segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A Morte

A Morte

Leitura: 1 Co 15.20-26; 50-58

É um fato inegável a mortalidade de todos os homens (Hb 9.27), embora a maioria das pessoas não tenha disposição de encará-la e, por isso, empregam eufemismos para falar dela - descansou, dormiu, passou desta para uma melhor, etc. Também procuram amenizar esta realidade construindo cemitérios ajardinados e parques memoriais.
As Escrituras falam sobre a brevidade da vida humana (Jó 14.1; Sl 89.47) e a compara a um vapor (Tg 4.14), um vento (Jó 7.7), a erva que cresce e logo seca (1 Pe 1.24; Sl 90.5,6) ou uma sombra (Jó 8.9).
O conceito bíblico de morte, porém, não diz respeito a aniquilação, mas a separação. A morte sempre esteve presente no meio dos homens. Se não como um fato inevitável (1 Co 15.21), ao menos como uma ameaça, uma possibilidade (Gn 2.17; 3.3).

A morte – uma inimiga.

A morte é inimiga de Deus e dos homens (1 Co 15.26). De Deus porque se opõe à vida, a qual Ele dá e da qual Ele é a fonte (1 Sm 2.6; Jo 1.4; 5.24, 26; 10.28; 11.25; 14.6). Dos homens porque desfaz sonhos, separa famílias, gera órfãos e viúvas. A morte entrou no mundo por meio do pecado (Rm 5.12). O homem foi criado imortal, ou não morria por ter acesso à árvore da vida? (Gn 3.22). Se não tivesse pecado não morreria? O fato é que quando pecou a possibilidade da morte tornou-se realidade (Rm 5). E quanto a Jesus, que não pecou (Hb 4.15) nem foi maculado pela natureza adâmica e morreu? Talvez o homem não tenha sido criado inerentemente imortal, mas não precisava morrer. Se não tivesse pecado, poderia ter vivido para sempre.
Muitas pessoas falam da morte como sendo uma viagem, mas na realidade ela é um destino.

As Escrituras falam de três mortes: física, espiritual e eterna.

1. Morte física: separação entre a alma e o corpo (Ec 12.7; Tg 2.26). Não é o fim da existência, mas marca uma transição no estado de existência.

2. Morte espiritual: separação entre o homem e Deus (Ef 2.1,2). O pecado faz esta separação (Is 59.1,2). Jesus fez distinção entre a morte física e espiritual (Mt 8.22). Quando o pecador aceita a Jesus ele passa da morte para a vida (1 Jo 3.14).

3. Morte eterna: chamada de segunda morte (Ap 20.6), marca a concretização da morte espiritual - o pecador perdido para sempre em seu estado pecaminoso. É um período infinito de punição e separação da presença de Deus. O apóstolo Paulo alertou sobre esta possibilidade (2 Ts 1.7-9). Jesus fez distinção entre a morte do corpo e da alma (Mt 10.28). Se alguém experimenta a morte física estando morto espiritualmente entrará na morte eterna. No juízo final todas as pessoas serão divididas em dois grupos:os justos irão para a vida eterna (Mt 25.34-40, 46) e os ímpios para a morte eterna (v. 41-46a).

Todos os mortos ressuscitarão um dia, seja para a vida ou morte (Dn 12.2). Após a morte física todos aguardam a ressurreição num “estado intermediário”, como espíritos desencarnados (imaterializados).

Para os que aceitaram a Jesus como seu salvador (que foram justificados, tornados justos por Ele): é chamado “paraíso” (Lc 23.43; Sl 16.10; At 2.27). Quando os justos morrem, passam a estar com Cristo (Fp 1.23; 2 Co 5.8).

Para os ímpios, que rejeitaram a mensagem de salvação: é chamado Hades e é um lugar de sofrimento (Lc 16.23; 1 Pe 3.19).
Antes de Cristo, os mortos iam para o Sheol, que tinha dois compartimentos separados por um abismo (Lc 16.22-31; Gn 37.35; Dt 32.22; Ez 32.23,24).
No novo testamento há distinção entre o Hades e o Geena, lugar de punição eterna para onde vão os ímpios após o juizo final (Mc 9.43,48).

Conceitos falsos sobre o estado intermediário

1. Purgatório

Um lugar onde os homens poderiam supostamente purificar pecados e imperfeições e o tempo de permanência de cada um naquele lugar pode ser encurtado por orações, missas e boas obras. Este ensino não pode ser apoiado pela Bíblia, pois se baseia numa passagem de um livro apócrifo (2 Macabeus 12.41-43) e torna o sacrifício de Cristo insuficiente para salvação - não é apenas pela graça, mas também por obras (Hb 10.10-23; Ef 2.8-10; Rm 3.24-28; 5.1, 2, 9, 10. 8.1, 31-39; 10.8-11; 1 Jo 2.1-2; 3.1,2). Para ter pecados perdoados, é preciso aceitar a Jesus nesta vida (Mc 2.10; 4.12; Lc 7.47; Tg 5.15; 1 Jo 1.9; 2.12).

2. Sono da alma

Ensina que a alma fica em estado inconsciente até a ressurreição. Entretanto, a Palavra usa a expressão “dormir” para falar da morte em sentido figurado (1 Ts 4.13,14; Jo 11.11-14; At 7.60; 13.36), um eufemismo. Na parábola do rico e Lázaro mostra que o homem não fica inconsciente após a morte (Lc 16.22-31). Alguns usam o texto de Ec 9.10 para justificar este pensamento, mas o autor está falando da vida “debaixo do sol”, portanto, não há nenhuma atividade aqui na terra para os que morrem. Eles não voltam, não ficam perambulando, etc.

3. Comunicação com mortos

A bíblia não somente nega a possibilidade desta comunicação como proíbe qualquer tentativa (Lv 19.31; 20.6,27; Dt 18.9-12; Is 8.19,20; 1 Cr 10.13,14). Os fenômenos que sugerem esta comunicação seriam produzidos por manipulação enganosa ou por espíritos mentirosos (1 Rs 22.22,23; 1 Tm 4.1; At 16.16-19).

Cristo é o Senhor tanto de mortos quanto de vivos (Rm 14.9-12). Todos estão diante dele e vão prestar contas do que houverem feito por meio do corpo ou da alma (1 Ts 5.23; Hb 4.12).
Para os descrentes a morte é um inimigo que todos temem. Mas para o crente o temor da morte está vencido e até se torna desejável morrer, pois é o meio de estar na presença do Senhor (Fp 1.20-23).
Os cristãos precisam ter cuidado quando falam sobre este assunto às crianças. Às vezes dizem que Jesus levou a mamãe ou o papai para o céu. Porém, se eles morreram num terrível acidente, que imagem ficará na mente da criança? Isto é forma de levar alguém? A criança poderá temer não apenas a morte, mas ir para o céu!

Jesus aboliu a morte (2 Tm 1.10), destruiu o seu poder (Rm 8.2; Jo 11.26) e nos livrou do seu pavor (Hb 2.15).
Por que o crente ainda morre? Por que não direto ao céu como Enoque e Elias? É que as conseqüências eternas do pecado foram anuladas pela expiação de Cristo, mas as temporais, não todas. Assim, a morte espiritual e eterna estão canceladas, mas a morte física é inerente à existência humana. Um dia, porém ela será finalmente vencida, por completo. Os que estiverem vivos na volta de Jesus não passarão pela morte (1 Ts 4.16,17).
Assim, a morte do crente não é uma “falência”, mas apenas “fechado para reforma”, pois aguarda o momento em que ressuscitará em corpo glorioso, para a vida eterna.

Precisamos nos preparar para a morte (Is 38.1; Ec 9.10), assim como nos preparamos para outros eventos em nossa vida: deixar documentos à mão, em lugar conhecido da família, fazer seguro de vida para o sustento da família, etc.

Obras Consultadas:

DUFFIELD, Guy P., VAN CLEAVE, Nathaniel M. Fundamentos da Teologia Pentecostal. São Paulo: Quadrangular, 2000.
ERICKSON, Millard, T. Introdução à Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1997.
GRAHAM. Billy. A Morte e a Vida Além - seu fim pode ser apenas o começo. São Paulo: Mundo Cristão, 1996.
WILEY, H. Orton; CULBERTSON, Paul T. Introdução à Teologia Cristã. São Paulo: Casa Nazarena de Publicações, 1990.