quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Davi - Um homem segundo o coração de Deus

Davi - Um homem segundo o coração de Deus

DADOS GERAIS


Davi é o nome do maior rei de Israel e o ancestral humano do Senhor Jesus. Sua história, suas realizações e seus problemas receberam um tratamento extensivo, de 1 Samuel16 a 2 Reis 1 e em 1 Crônicas 2 a 29. O significado do nome ainda é incerto. A conexão com a palavra acadiana dãwidûm (chefe, comandante) é atraente, embora duvidosa. É mais provável que esteja associado com a raiz hebraica dwd (amor), para dar o significado de "amado". Alguns sugerem que Davi seja um cognome real e que seu nome é Elanã (Heb. "Deus é gracioso"), o herói que matou Golias (2 Sm 21:19). Embora essa solução possa resolver a aparente discrepância entre 1 Samuel17, cujo texto relata que Davi matou Golias, e 2 SamueI21.19, o qual menciona que foi Elanã quem matou o gigante, cria outro problema: por que então Elanã seria relacionado na lista dos heróis de Davi? Outra sugestão é feita a partir de 1 Crônicas 20:5, que iden­tifica Elanã como o herói que matou Lami, irmão de Golias. Desde que não se tem certeza se foi em 2 Samuel 21:19 ou em 1 Crônicas 20.5 que houve uma corrupção textual, a identificação de Elanã é incerta.


ANTECEDENTES


Davi era o mais novo dos oito filhos de Jessé, um efrateu de Belém (1 Sm 17:11,12). Jessé era descendente da tribo de Judá e bisneto de Boaz e Rute, a moabita (Rt 4:18-22; cf. 1 Cr 2:1-15; Mt 1:2-6; Lc 3:31-38).

Na juventude, Davi cuidava dos rebanhos da família. Como pastor, aprendeu a cuidar dos animais, bem como a protegê-Ias dos predadores. Essa experiência o ensi­nou a depender do Senhor, conforme afirmou para Saul: "O Senhor que me livrou das garras do leão, e das garras do urso, me livrará da mão deste filisteu" (1 Sm 17:37).

Davi era também um bom músico. Quando Saul sofria de depressão e crises de melancolia, seus servos, conhecendo a reputação desse jovem, mandaram chamá-Ia (1 Sm 16:16). Um deles disse: "Vi um filho de Jessé, o belemita, que sabe tocar bem, e é forte e valente, homem de guerra, sisudo em palavras, e de boa aparência. E o Senhor é com ele" (v. 18). Esse texto relaciona várias características de Davi: seu talento musical, sua bravura, eloquência, boa aparência, mas, acima de tudo, a pre­sença do Senhor em sua vida.


DAVI ELEITO POR DEUS PARA SER REI


Davi era notável, tanto por seu amor a Deus como por sua aparência física (1 Sm 16:12). Depois que Saul foi rejeitado por seus atos de desobediência (1 Sm 15:26), o Senhor incumbiu Samuel da tarefa de ungir um dos filhos de Jessé. Os mancebos passaram um por vez diante do profeta, mas nenhum deles foi aprovado por Deus. Depois que os sete mais velhos foram apresentados a Samuel, ele não entendeu por que o Senhor o enviara a ungir um rei naquela casa. O profeta procurava um candida­to que se qualificasse por sua estatura física. Afinal, anteriormente tinha dito ao povo que Saul preenchia os requisitos, devido à sua bela aparência: "Vedes o homem que o Senhor escolheu? Não há entre o povo nenhum semelhante a ele" (1 Sm 10:24).

Jessé disse a Samuel que seu filho mais novo, chamado Davi, ainda cuidava dos rebanhos. Depois que foi trazido diante do profeta, ele teve certeza que aquele jovem atendia aos padrões de Deus, pois "o Senhor não vê como vê o homem. O homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração" (1 Sm 16:7). Davi recebeu duas confirmações de sua eleição: Samuel o ungiu numa cerimô­nia familiar e o Espirito do Senhor veio sobre ele de maneira poderosa (v.13).


DAVI COM SAUL


Os caps. 16 a 31 de 1 Samuel são uma antologia solta de histórias, que, como coletânea, receberam o título de "A história da exaltação de Davi". O propósito dessas narrativas é defender Davi das acusações de ter agido de maneira subversiva, usurpando o trono da família de Saul, sendo responsável pelas mortes de Saul, Jônatas, Abner e Is-Bosete. Deus operava claramente em todas as circunstâncias da vida de Davi, que o elevaram da posição de pastor de ovelhas a músico no palácio do rei, de lutar contra animais selvagens até suas vitórias sobre os filisteus e de herói nacional a refugiado político.


Primeiro, Davi foi convidado para servir ao rei Saul como músico. Saul sofria de melancolia, porque o Espírito do Senhor o abandonara (1 Sm 16:14). Na corte, Davi agradou ao rei, o qual o nomeou seu escudeiro (v. 21).

Segundo, Deus agiu rapidamente, quando os filisteus atacaram Israel (1 Sm 17). O gigante filisteu, chamado Golias, desafiava Saul e todo o Israel várias vezes por dia, por um espaço de 40 dias (1 Sm 17;16). Aconteceu de Davi levar suprimentos para seus irmãos que estavam no acampamento de guerra e teve oportunidade de ouvir o desafio do gigante. Movido por seu zelo pelo Senhor, seu amor pelo povo e pela alta recompensa - riqueza, casamento com a filha do rei Saul e a isenção de pagar impos­tos - Davi apresentou-se como voluntário para enfrentar Golias naquela batalha. O Senhor estava com ele. Davi triunfou sobre o filisteu, ao matá-Ia com uma funda e uma pedra (1 Sm 17.50).

Terceiro, Davi foi convidado para morar no palácio real (1 Sm 18.2). Os membros da família do rei o amavam. “A alma de Jônatas ligou-se com a de Davi, e Jônatas o amou como à sua própria alma" (v. 1). Este filho de Saul chegou ao ponto de fazer uma "alian­ça" com Davi (v. 3). Como expressão de seu profundo amor e respeito pelo filho de Jessé, deu-lhe suas roupas e armadura (v. 4). Mical também amava Davi (v. 20).


Como sempre acontece, quando muitas coisas boas surgem, a fortuna tornou-se em sina. A fama de Davi cresceu rapidamente. Por toda a nação, as mulheres louva­vam seu nome e faziam comparações positivas entre o jovem e o rei: "Saul feriu os seus milhares, porém Davi os seus dez milhares" (1 Sm 18:7). Esse contraste suscitou o ciúme do rei (v. 8). Ele sabia que seus dias como monarca estavam contados e tinha de proteger o trono para sua família. Assim começaram as atitudes de hostilidade explícita contra Davi. O narrador de 1 Samuel escreveu: "Daquele dia em diante, Saul trazia Davi sob suspeita" (v. 9).

O ciúme de Saul deixou-o cego. Foi extremamente desleal, pois voltou atrás em sua promessa de dar a filha mais velha, Merabe, em casamento a Davi (1 Sm 18:17). Exigiu que o jovem enfrentasse os filisteus em batalha, na esperança de que perdesse a vida. Davi, ainda relutante em aceitar casar-se com um membro da família real, procurou imediatamente agradar ao rei. Nesse meio tempo, Merabe foi dada a outro homem (1 Sm 18:19). De maneira vil, Saul desafiou-o a demonstrar sua bravura e seu valor nova­mente, mediante a matança de 100 filisteus, como um tipo de dote. Estava aborrecido por ser obrigado a dar Mical como esposa para Davi, porque sabia que o Senhor estava com ele e via o amor da filha por Davi como traição contra seu reinado (1 Sm 18:28).

Quarto, por meio de sua amizade como filho do rei, Davi foi avisado com antece­dência do profundo ódio de Saul contra ele, bem como de seus planos de matá-Ia. Jônatas amava de verdade o filho de Jessé (1 Sm 19:1) e não se preocupava com suas proezas militares, nem com sua crescente popularidade. Intercedeu em favor dele e o convidou para voltar ao palácio (v. 7), mas gradualmente percebeu que seu pai real­mente estava determinado a matá-lo. O rei fez algumas tentativas para eliminar Davi no palácio (v. 10) e até mesmo na própria casa do genro (v. 11). Davi e Jônatas foram obrigados a se separar. O filho do rei sabia que Davi corria risco de vida; compreendia também que Deus tinha um plano especial para a vida do amigo. Os dois fizeram uma aliança para toda a vida e se separaram (1 Sm 20:16,42).


SAUL CONTRA DAVI


Saul fez tudo para livrar-se de Davi. Expulso da corte, o filho de Jessé buscou refúgio junto a Aquis, rei filisteu de Gate. Temeroso de que a boa vontade do anfitrião mudas­se a qualquer momento, foi para Adulão (1 Sm 22). Ali, liderou um bando de foras-da-­lei. Trouxe sua família para a segurança de Moabe e retomou, a fim de enfrentar os perigos de sua vida de exilado. Qualquer um que tentasse colaborar com Davi era morto por Saul, como aconteceu com os sacerdotes de Nobe (1 Sm 21 a 22). Para onde quer que ele fosse, o rei ficava sabendo e o perseguia.

Enquanto isso, o apoio a Davi crescia cada vez mais Bandidos muitos deles guer­reiros habilidosos, reuniram-se a ele. Abiatar, um sacerdote que. escapou do massacre. Em Nobe, e o profeta Gade também se uniram a Davi. Este; por suas muitas façanhas, fazia com que as pessoas ficassem em débito para com ele, Reduziu a ameaça dos filisteus, como fez, por exemplo, em Queila (1 Sm 23). Ele e. seu Homens também tornaram-se defensores dos moradores de Judá que eram constantemente. ameaçados por saqueadores estrangeiros e viviam da parte que recebiam das colheitas, rebanhos e do gado que ajudavam a proteger. Nem todos os criadores. porém, estavam dispos­tos a compartilhar com eles alguma' coisa. Nabal, um rico fazendeiro, tinha recebido tal proteção' de Davi e seus homens, mas· era avarento, demais 'para recompensá-los pelo trabalho (1 Sm 25). O filho de Jessé ficou furiosos mas. Abigail, esposa de Nabal, foi ao seu encontro com vários presentes. Depois da -morte do marido, ela se tornou esposa de Davi (1 Sm 25:42).

Por duas vezes Davi teve oportunidade de vingar-se de Saul, mas, ao invés de matá-lo, poupou sua vida. Sua existência tomou-se tão opressiva que foi obrigado a buscar refúgio com Aquis, rei de Gate, Recebeu a cidade de Ziclague para morar com seus homens, de onde-ajudava Saul a reduzir as forças dos filisteus (1 Sm 27). Aquis tinha tamanha confiança na lealdade de Davi, que o levou consigo como .parte de suas tropas numa batalha em Gilboa, contra os israelitas (1 Sm28).Os filisteus não deveriam ficar apreensivos pelo conflito. de interesses; Davi lutaria contra seu próprio povo (1 Sm 29). No entanto, ele retomou a Ziclague e descobriu que a cidade fora saqueada e incendiada e a população, levada cativa pelos amalequitas. Enquanto os filisteus esmagavam os israelitas no norte, Davi perseguiu os invasores e colocou um fim em suas hostilidades.


DAVI É EXALTADO AO REINO


Saul e Jônatas foram mortos na batalha em Gilboa (2 Sm 1:4): Ao invés de .comemorar este acontecimento, Davi chorou pelo rei e por seu amigo (28m 1.19-27). As notícias sobre a morte de Saul correram rápido, mas as reações foram bem diferentes em todo país. As tribos do Norte reconheceram Is-Bosete, filho do rei; como o legítimo repre­sentante do trono (2 Sm 2:8,9). A tribo de Judá permaneceu leal a Davi e separou-se dá União, ao tornar Hebrom a capital do novo treíno (2 Sm 2:3,4).

Não demorou muito para que o povo descobrisse. a incompetência de Is-Bosete. Abner, seu comandante militar, junto com outros cidadãos importantes, procurou Davi e abriu negociações com ele; as quais foram interrompidas quando Joabe assas­sinou Abner, em vingança pela morte, de seu, irmão. O enfraquecimento do Norte encorajou a morte de Isbosete e as tribos, voltaram à união sob o reino de Davi (2 Sm 5:11-3.).

Esse reino, agora unificado, primeiro teve Hebrom como seu centro. Mas, desejo­so de ter uma localização melhor e reconhecedor do problema estratégico .gerado pela proximidade dos cananeus, Davi determinou 'a conquista de Jerusalém. A cidade nunca pertencera aos israelitas e localizava-se: num, ponto estratégico, em um cruzamento entre leste e o oeste, o norte e o sul. Joabe o comandante militar, liderou uma campanha bem-sucedida contra aquela localidade e a conquistou para o rei.

Davi consolidou seu reino, ao fazer de Jerusalém sua capital administrativa. Era uma cidade neutra, pois não tinha qualquer ligação especial nem com as tribos do Norte nem com as do Sul (2 Sm 5:9,10). O crescimento do poderio de Davi não passou despercebido. Hirão, rei de Tiro, enviou seus carpinteiros e pedreiros, a fim de construir um' palácio para ele (2 Sm 5.11). Esse ata firmou o relacionamento entre os dois reis; Por incrível que pareça, o fortalecimento da posição do filho de Jessé ameaçou a paz relativa de que Israel gozava. Os filisteus não perturbaram o país durante os dois primeiros anos do reinado' de Davi. Com o 'crescimento de seu poder. entretanto, decidiram acabar com sua grande popularidade. O rei resistiu a cada ataque com sucesso e finalmente definiu a fronteira do reino na planície costeira (2 Sm 5:19-25).


JERUSALÉM COMO CENTRO DO REINO DE DAVI


A paz estabelecida em Israel encorajou Davi a persuadir as tribos a reconhecer Jeru­salém corno centro religioso, ao levar para: lá a Arca da Aliança, o símbolo central do relacionamento 'e' da aliança do povo com Deus (2 Sm 6). Após encontrar descanso em Jerusalém, Davi buscou a aprovação do Senhor para providenciar um centro definitivo ao culto e à adoração em Israel, por meio da cons­trução de um Templo (2 Sm 7). Deus modificou a oferta de Davi, pois concedeu a ele uma "casa" (dinastia) e permitiu que seu filho construísse uma "casa" permanente para o Senhor. A- promessa de uma dinastia foi incorporada a uma aliança de conces­são. A proposta concedia' a Davi um lugar perpétuo no reino de Deus, ao colocar sobre ele o privilégio de' ser um "filho" de Deus. O Salmo 2 celebra a condição- do. filho como o que. experimenta uma posição privilegiada· e recebe autoridade para estabele­cer o reino de Deus (veja SI 72), submeter as nações, quando necessário pela força, e trazer as bênçãos do Senhor sobre todos os fiéis, em todas as partes da Terra. Essas promessas cumprem a aliança que Deus fez com Davi. O Pacto Davídico é uma admi­nistração soberana, feita pela graça, segundo a qual o Senhor ungiu Davi e sua casa para estabelecer seu reino e efetivamente trazer um reinado de paz, glória e bênção. Jesus e os apóstolos afirmaram que essas·'11fomessaS-encontram seu foco e recebem sua confirmação em Cristo (o "Messias"). Ele é o "ungido" que recebeu autoridade e poder (Mt 28:20; At 2) do alto sobre toda a criação, inclusive a Igreja (Cl 1).

Encorajado pelas promessas .de Deus e feliz pela consolidação do destaque de Israel entre as nações, Davi seguiu adiante. Fortaleceu Jerusalém, desenvolveu uma administração . de . governo centralizada, expulsou as forças. invasoras e foi. agressivo no estabelecimento da. paz em Israel. Subjugou os filisteus; moabitas; edomitas-e amonitas (2 Sm 12.29-31). Cobrou impostos dos arameus e das nações que decidiu não subjugar (2 Sm 8;10). Depositou a maior parte dos tributos e espólios no fundo para a construção do Templo (2 Sm 8:11,12) Embora fosse severo' em sua justiça para com as nações, o rei foi generoso no trato com Mefibosete filho de Jônatas. Providenciou-lhe um lugar e garantiu-lhe um sustento vitalicio (2 Sm:9). Provavelmente esse período foi marcado por uma severa crise de fome (2 Sm21.1). A dificuldade era tão grande que Davi pediu uma explicação ao Senhor. Foi-lhe revelado que a escassez de alimento. era resultado do juízo de Deus. pelo equivocado zelo de Saul; ao tentar aniquilar os gibeonitas (2 Sm 21.2), povo -que- buscara e recebera proteção de Israel, na época. de Josué Os 9.15,:1.8-26). A morte de sete descendentes de Saul, sem incluir Mefibosete, satisfez a exigência de justiça feita pelos gibeonitas;' Deus graciosamente removeu a maldição . e renovou ai terra com chuva abundante. Davi levou os ossos de Saul, Jônatas e dos sete. que foram morto se os enterrou na sepultura de Quis (2 Sm 21.14).


A QUEDA DE DAVI


A partir deste ponto, a história de Davi é uma mistura de tragédia e providência divina. Ele se tornou um personagem trágico. Elevado pela graça de Deus a uma posição de imenso poder, desejou ardentemente Bate-Seba, com quem teve relações sexuais; ao saber que estava grávida, tentou encobrir seu pecado, ordenou que Urias, o marido dela, fosse morto no campo de batalha e casou-se com ela legalmente (2 Sm 11). O profeta Natã proferiu um testemunho profético, condenando a concupiscência e a cobiça de Davi e seu comportamento vil (2 Sm 12). O rei confessou seu pecado e recebeu perdão (2 Sm 12.13; cf. S132; 51), mas sofreu as consequências de sua perfí­dia pelo resto da vida. O bebê que nasceu da união com Bate-Seba ficou doente e morreu.

Consequentemente, Davi experimentou instabilidade e morte em sua família. Amnom violentou a própria irmã, Tamar, e causou a desgraça dela (2 Sm 13); foi assassinado por Absalão, irmão da jovem. Este fugiu para salvar a vida e permaneceu exilado por dois anos. Davi almejava revê-lo e foi encorajado por Joabe, O qual o enganou, ao forçá-lo a seguiu um conselho que lhe fora dado por uma mulher de Tecoa. Esta, orientada por Joabe, fora ao rei pedindo proteção para o filho que assas­sinara o irmão. Joabe trouxe Absalão de volta, mas não ao palácio real. Depois de dois anos, o filho do rei voltou ao palácio, conquistou a simpatia do povo e pensou numa maneira de reconquistar o favor do pai (2 Sm 14).

Como resultado, Davi experimentou uma guerra civil dentro do país. Absalão tivera tempo para elaborar planos, a fim de perturbar a ordem. Durante quatro anos, preparara-se cuidadosamente para o momento em que o povo o apoiaria, em detri­mento de seu velho pai. Absalão foi coroado rei em Hebrom e rapidamente partiu em direção a Jerusalém (2 Sm 15). Davi saiu da capital com um grupo de seguidores e deixou vários conselheiros de confiança para trás (Abiatar, Zadoque e Husai). Husai dava conselhos equivocados a Absalão e enviava mensageiros a Davi, a fim de infor­mar todos os movimentos dele (2 Sm 17). A guerra trouxe resultados desastrosos para as forças do filho do rei, o qual morreu pendurado em uma árvore pelos cabelos. A vitória foi clara, mas Davi sofreu mais com a perda de Absalão do que sentiu alegria pela vitória.

O rei voltou para Jerusalém com o apoio dos habitantes do Sul do pais, os quais anteriormente haviam seguido Absalão. As tribos do Norte sentiram-se traídas pela falta de respeito demonstrada pelos moradores do Sul, pois elas também tinham apoi­ado o rei e dado a extensão de seu território nas mãos dele; por isso, precisavam ser ouvidas. A tribo de Judá alegou que o rei lhes pertencia e ofendeu os habitantes do Norte com a sua insolente arrogância (2 Sm 19.40-43).

Consequentemente, a união entre as tribos ficou enfraquecida ao extremo. A dis­sidência rapidamente cresceu e culminou em outra guerra civil, sob a liderança de Seba, filho de Bicri, da tribo de Benjamim. Davi enviou Amasa para recrutar guerrei­ros de Judá, a fim de sufocar a rebelião. Como este demorou muito a retornar, o rei comissionou Abisai para perseguir Seba. (Joabe perdera o favor do rei e o cargo, por ter matado Absalão, e agora estava sob as ordens de Abisai.) Quando Amasa, que se aliara a Seba, e Joabe se encontraram, este o matou e reassumiu o comando das tro­pas. Perseguiu a Seba até Abel-Bete-Maaca e sitiou a cidade. Uma mulher sábia sal­vou a cidade, ao comprometer-se a atirar a cabeça de Seba por cima do muro. Joabe retornou a Jerusalém como general. com o crédito de ter acabado com a rebelião (2 Sm 20.23).


OS ÚLTIMOS DIAS DE DAVI


No término de sua vida, Davi tinha realizado o objetivo de solidificar Israel contra os filisteus, ao sudoeste; os edomitas, ao sudeste; os moabitas e amonitas, ao leste; e os arameus, ao norte. Havia estendido seu reino por todas as áreas da terra que fora prometida a Abraão (Gn 15.18,19). Desenvolveu uma administração eficiente, pela qual era capaz de governar esse vasto império. Um excelente exército era mantido constantemente de prontidão, para assegurar a paz e a estabilidade dentro do reino. Por causa de seu sucesso, Davi confiou em si mesmo e decidiu fazer um censo.

Isso desagradou ao Senhor, que enviou uma praga contra o reino. O próprio rei foi o responsável pela morte de muitos inocentes. Por isso, comprou um campo e ofereceu um sacrifício a Deus, que expressava arrependimento por sua presunção. Esse local, a eira de Araúna, no futuro se tornaria o lugar onde Salomão construiria o Templo (2 Sm 24.1-25).

Davi ordenou que Salomão fosse ungido rei, após ouvir que seu filho Adonias fizera uma tentativa de usurpar o trono (1 Rs 1.1 a 2.12). Preveniu o seu sucessor sobre várias pessoas que poderiam comprometer a estabilidade de seu reinado: Joabe, o comandante, e Simei, o rebelde (1 Rs 2.5,6,8,9). Incumbiu-o de permanecer fiel a Deus, porque no Senhor estava a fonte do poder e a perpetuidade da dinastia.


CONCLUSÃO


Davi era humano, mas permaneceu fiel ao Senhor durante toda sua vida. Embora tenha pecado tragicamente contra Deus e o próximo, era um homem humilde. A sua força estava no Senhor, desde o princípio até o fim de seus dias. Os salmos atribuídos a ele falam desta verdade. Tal afirmação sobre sua confiança em Deus é também encontrada no final de 2 Samuel: "O Senhor é a minha rocha, a minha fortaleza e o meu libertador. Meu Deus é a minha rocha, em quem me refugio; o meu escudo, e força da minha salvação. Ele é o meu alto retiro, meu refúgio e meu Salvador - dos homens violentos me salvaste" (2 Sm 22.2,3). Os cânticos compostos por ele também trazem a correlação entre a humildade, a obediência e a bondade de Deus. Conforme Davi escreveu: "Com o puro te mostras puro, mas com o perverso te mostras sagaz. Livras o povo humilde, mas teus olhos são contra os altivos, e tu os abates" (2 Sm 22.27,28). O Senhor não apenas mostrou seu poder para Davi e seus contemporâneos, mas também comprometeu-se a proteger todo o seu povo por meio do ungido, que descenderia do referido rei. Essa é a essência da Aliança Davídica.

Os escritores do NT testemunham sobre a conexão entre Davi e Cristo. A genealogia de Jesus recua até o filho de Jessé (Mt 1.1). Ele é o governante sobre o trono de Davi, cujo reino se estende até os confins da Terra. É o cabeça da Igreja (CI 1.18) e trará todas as nações ao conhecimento de sua soberania (1 Co 15.25; cf. At 2.35). Ele esta­belecerá o reino de Deus sobre a Terra (1 Co 15.27,28) e, por esse motivo, cumpre as promessas em benefício de todo o POVQ do Senhor, tanto judeus como gentios.


Pr Jonas Neto